Dicas de Multímetro

marcoamf

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#1
Olá pessoal,

Tou com um problema bom!

Acabo de terminar minha segunda construção de ampli. Neste segundo, já usei a estação de solda e notei o quanto uma ferramenta boa facilita o trabalho (sem falar na parafusadeira que uso o tempo todo).
Ainda estou usando um multímetro Chinês que as vezes acho bem tosco. Por exemplo ao medir resistência o bicho oscila demais, tem que ficar adivinhando o número que ficou parado mais tempo.

Logo mais é meu aniversário e estou pensando em pedir um multímetro legal pra patroa. Estou pensando em algo na faixa das 150 a 350 Dilmas. Sei que é uma grana, mas acho que vale o investimento. E mais simples que isso acho que meu Chinês aguenta a bronca pau a pau.

Vi uns Hikari, Minipa e Fluke bem legais, medindo até 1000 volts e com capacitância (útil pra verificar meus capacitores chineses). Estou mais inclinado pelos Fluke, sabendo que são mais caros (e praticamente tudo é feito na China hoje). Mas eles parecem mais sérios e realmente focados em medidores, não só um importador.
Recomendações, comentários?
 

jfonseca

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#2
E aí marcoamf, tudo jóia?

Os Minipas são quase todos baseados em modelos da Fluke. Dos nacionais o Minipa é o melhor, mas quando houver a possibilidade eu uso Fluke.

Pode ser um multímetro mais básico para usar em valvulados. Você só precisaria de True RMS se fosse aferir formas de onda diversas, dos captadores de guitarra, por exemplo. Se deseja utilizar para DC ou AC senoidal, os Flukes mais acessíveis resolvem. O True RMS exige processamento mais pesado então os modelos com essa função saem bem mais caros. Em compensação, como tem uma CPU avantajada, eles são muito mais rápidos também. Alguns Fluke mais básicos levam até 30 segundos para medir um capacitor. Um True RMS é quase instantâneo.

A China está muito forte, e talvez pesquisando no eBay você consiga um chinês que se aproxime do padrão Fluke, mas aí existem muitas marcas e eu não saberia recomendar uma específica. Tem algumas ferramentas chinesas que surpreendem e duram muito tempo. Também tem outras que não duram sequer uma semana.

Bom, acabei não dizendo muito, mas espero que ajude!
 

marcoamf

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#3
Legal, Zé!
Na verdade nessas horas a gente quer só que alguém diga que o que a gente escolheu é legal... rs.
Mas muito legal a explicação sobre o true RMS.

Vi em algum forum alguem comentar sobre multimetro que mede indutância. Achei estranho e não encontrei nenhum com essas especificações. Seria interessante.
Outra dúvida que surgiu foi se é possível medir a impedância de um falante com o multimetro em ohms normalmente.
 

jfonseca

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#4
Esses multímetros tradicionais utilizam DC e se não forem muito sofisticados, não são capazes de aferir componentes reativos.

O multímetro usado para medir indutância, impedância de falantes e outras características de componentes reativos(capacitores e indutores) utiliza AC e não DC para medição.

Normalmente são chamados de "ponte LCR" ou medidor LCR.

Sobre falantes: A impedância do altofalante é composta por resistência e por reatância. A maior parte é resistência DC. Quando se mede a resistência do falante em DC (DCR) usando um multímetro comúm, você está aferindo o "piso" da impedância do falante(é a resistência com frequência zero, ou DC).

O falante nunca terá impedância abaixo de DCR, não importa a frequência do tom sendo testado. Então essa é a utilidade da medição da resistência do falante.

Mas a música é um sinal AC, então somamos ao DCR a reatância do falante - que aumenta com a frequência. Logo, o falante tem uma impedância que vai do mínimo de DCR até o valor máximo na frequência superior.

A impedância que você vê anunciada na caixa do falante é aferida a 1000 Hz. Nessa frequência vai ter DCR + reatância a 1 KHz.

Espero não ter falado demais!
Abs.
 

kt66

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#5
Opa, olá pessoal! Me cadastrei neste fórum há algum tempo porém todavia não tinha participado. Interessante essas dicas a respeito do multímetro AC versus DC realmente não sabia que havia essa diferença. Minhas primeiras averiguações sobre os tais "L.C.R" no Google mostraram que são bastante caros! Imagino seja devido à complexidade de tais medidores. Porém vejo que caso leve a sério esse "vício" de vaulvulados eu terei que pensar na compra de um!
 

marcoamf

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#6
Bela aula, Zé. Sempre aprendendo aqui.

Pelo menos a impedância nominal é reportada pelos fabricantes, não veria tanta necessidade de medir a não ser por curiosidade. Ou, como outros componentes, verificar que a medida nominal é a real.
Por exemplo, ontem eu precisava de um potenciômetro de 500k pra uma guitarra. Como não tinha, achei os de 1M. Medi alguns e um deles dava pouco mais de 800k. Peguei esse.

Enfim, quando monto um ampli (só dois até agora, mas...) pego entre todos os resistores que tenho e meço o que estiver mais próximo do valor nominal. Quero começar a fazer isso com capacitores e quem sabe com o medidor correto, um dia válvulas.

Acho que vou num Fluke mesmo, muito show eles. E não tenho osciloscópio ainda, acho que pras minhas primeiras empreitadas vou num daqueles chineses que parecem um celular, só pra ter uma noção.
 

jfonseca

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#7
É isso aí, marcoamf, aos poucos vamos construindo a bancada de instrumentos. Ferramentas de qualidade custam caro, então para quem como eu não nasceu em berço de ouro, o jeito foi ir comprando aos poucos, financiando, e por aí vai. Mas aprendí uma lição importante: comprar ferramentas ruíns vai simplesmente me obrigar a comprá-las de novo.

Tive diversos multímetros ao longo do tempo e todos deram problema. E aí um dia tive um Fluke e nunca mais precisei de outro. Em momento de distração medí tensão com ele na escala de resistência. Qualquer multímetro comúm queima se fizer isso, o Fluke desarmou um circuito e não queimou. Ao usar o amperímetro, e virar a chave para medir tensão, ele para de funcionar e dispara um alarme. Fluke é outra história....

O osciloscópio tem que ser bom : eu tive um chines, depois tive um nacional, e todos deram problemas. Finalmente encontrei uma promoção na Farnell e financiei um Tektronix em 10X, isso já depois que não tinha mais oficina de valvulados!

Para valvulados, como você não mede mais que 20 KHz no trabalho com áudio, pode ser um osciloscópio menos sofisticado. Por exemplo: Tektronix antigos que ná época custavam milhares de dólares, você compra hoje até em ferro-velho, e resolve perfeitamente, porque esses novos são feitos para centenas de MHz e no áudio você só precisa de 20Hz a 20 KHz, baixíssima frequência.... A vantagem dos novos é gravar capturas em USB e atualizar o firmware. Mas um osciloscópio antigo fica até elegante em uma bancada de trabalho com valvulados.

No caso aí do pot que você mediu, esses compomentes populares tem 20% de tolerância. Então um resistor de 100 K pode ter entre 80K e 120K. Mas se comprar componentes de precisão, economiza tempo. Em lojas na internet tem resistores e pots com 1% e até menos tolerância, aí você não precisa ficar medindo um por um.

Abs. Bom feriado a todos!
 

marcoamf

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#8
"Mas aprendí uma lição importante: comprar ferramentas ruíns vai simplesmente me obrigar a comprá-las de novo. "

Exatamente isso.

Meu pai tem um osciloscópio antigo, que acho que ele usou muito pouco. Acho que está com defeito. Com certeza ele me dá se eu pedir. Tem que ver se vale consertar. E infelizmente o bicho é um trambolho, eu precisaria de uma nova bancada kkkk
O que curti nos novos é o tamanho. Quem sabe um dia umas empresas sérias não fazem um módulo para visualização de onda como um adicional ao múltimetro?
Eles seriam bem inteligentes de criar um modelo expansível, que vai adicionando mais coisas conforme a pessoa cresce em conhecimento e envolvimento com a eletrônica.

Bom feriado!