A respeito da treta sobre "pirataria" de pedais por handmakers

jfonseca

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#1
Está rolando uma treta imensa, em nível nacional, relacionada à "pirataria" de pedais. Há um tempo publiquei aqui algo relacionado a isso: em resumo não existem "pedais 100% originais" (meu post era sobre Marshall's originais, sendo que nem os Marshall feitos a mão pelo Jim eram "originais"). Quase todos (raras exceções) os pedais hand mades feitos no Brasil, China e por aí afora são adaptações e modificações de designs existentes. O fato da Fender, Electro-Harmonix, Dunlop, Boss, Ibanez e outras não processarem todos que copiam seus circuitos não significa que esses circuitos sejam free. Em suma, há circuitos patenteados em quase todos os pedais e não adianta o povo que adapta e dá novos visuais tentar ocultar esse fato, quem entende os circuitos enxerga as adaptações.

Sobre o assunto, reitero minha crítica aos fabricantes artesanais (nacionais e internacionais):

1) Não metam epoxy em seus circuitos para ocultar o seu plágio, chamando-o de alguma inovação inexistente. Todos sabemos que 99% dos circuitos com epoxy não têm inovações, são apenas tentativas de ocultar violações de propriedade intelectual. Os circuitos de áudio são profundamente estudados e discutidos em revistas especializadas onde qualquer inovação é creditada aos autores. Não adianta você fazendo trapizongas já conhecidas achar que está criando algo sem que exista peer review e publicação do circuito. O resto é simplesmente pirataria.

2) Seu circuito muito provavelmente não é original, pois se fosse você teria uma patente registrada. Se não tem uma patente, não oculte a origem de seu circuito usando subterfúgios ridículos como pasta epoxy.

3) Não tome posse de propriedade intelectual alheia. Se o seu pedal é MUITO provavelmente uma VERSÃO de algo existente, seja honesto quanto a isso e CITE o pedal original. Nem que seja uma citação tácita, como usar a mesma cor ou dar um nome alegórico que remeta ao original, como MEU808, Meu Screamer e por aí vai. E ao falar com os clientes seja honesto sobre a origem do circuito.

Tem fabricantes nacionais que estão enchendo suas placas de epoxy na tentativa de ocultar o circuito subjacente.

Se nem o Leo Fender, que é muito melhor que você, fazia isso, o que lhe faz pensar que você deve usar designs alheios e ocultá-los?

A origem da treta é que alguns tentaram ser mais espertos que outros. Uma hora isso tinha que explodir mesmo. O ramo do áudio nacional precisa de menos moleques e mais gente honesta.

Músicos: não comprem pedais e amplificadores que tem pasta epoxy ocultando os circuitos. Muito provavelmente, com 99% de probabilidade, é um plágio que está sendo mascarado como inovação. Repito: circuitos inovadores são publicados em revistas e sites especializados e são discutidos com amplo peer review. Se o técnico está afirmando que inventou um circuito e o oculta com pasta epoxy, e não foi publicado em lugar algum, pode saber que se trata de embromation para lhe cobrar um preço acima do normal.
 
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#2
Está rolando uma treta imensa, em nível nacional, relacionada à "pirataria" de pedais. Há um tempo publiquei aqui algo relacionado a isso: em resumo não existem "pedais 100% originais" (meu post era sobre Marshall's originais, sendo que nem os Marshall feitos a mão pelo Jim eram "originais"). Quase todos (raras exceções) os pedais hand mades feitos no Brasil, China e por aí afora são adaptações e modificações de designs existentes. O fato da Fender, Electro-Harmonix, Dunlop, Boss, Ibanez e outras não processarem todos que copiam seus circuitos não significa que esses circuitos sejam free. Em suma, há circuitos patenteados em quase todos os pedais e não adianta o povo que adapta e dá novos visuais tentar ocultar esse fato, quem entende os circuitos enxerga as adaptações.

Sobre o assunto, reitero minha crítica aos fabricantes artesanais (nacionais e internacionais):

1) Não metam epoxy em seus circuitos para ocultar o seu plágio, chamando-o de alguma inovação inexistente. Todos sabemos que 99% dos circuitos com epoxy não têm inovações, são apenas tentativas de ocultar violações de propriedade intelectual. Os circuitos de áudio são profundamente estudados e discutidos em revistas especializadas onde qualquer inovação é creditada aos autores. Não adianta você fazendo trapizongas já conhecidas achar que está criando algo sem que exista peer review e publicação do circuito. O resto é simplesmente pirataria.

2) Seu circuito muito provavelmente não é original, pois se fosse você teria uma patente registrada. Se não tem uma patente, não oculte a origem de seu circuito usando subterfúgios ridículos como pasta epoxy.

3) Não tome posse de propriedade intelectual alheia. Se o seu pedal é MUITO provavelmente uma VERSÃO de algo existente, seja honesto quanto a isso e CITE o pedal original. Nem que seja uma citação tácita, como usar a mesma cor ou dar um nome alegórico que remeta ao original, como MEU808, Meu Screamer e por aí vai. E ao falar com os clientes seja honesto sobre a origem do circuito.

Tem fabricantes nacionais que estão enchendo suas placas de epoxy na tentativa de ocultar o circuito subjacente.

Se nem o Leo Fender, que é muito melhor que você, fazia isso, o que lhe faz pensar que você deve usar designs alheios e ocultá-los?

A origem da treta é que alguns tentaram ser mais espertos que outros. Uma hora isso tinha que explodir mesmo. O ramo do áudio nacional precisa de menos moleques e mais gente honesta.

Músicos: não comprem pedais e amplificadores que tem pasta epoxy ocultando os circuitos. Muito provavelmente, com 99% de probabilidade, é um plágio que está sendo mascarado como inovação. Repito: circuitos inovadores são publicados em revistas e sites especializados e são discutidos com amplo peer review. Se o técnico está afirmando que inventou um circuito e o oculta com pasta epoxy, e não foi publicado em lugar algum, pode saber que se trata de embromation para lhe cobrar um preço acima do normal.
Amigo Fonseca, esse tema tem aspectos políticos, econômicos e legais envolvidos. Eu entendo um pouco disso porque eu e um sócio estamos tentando lançar um produto no mercado, então procurei me informar sobre isso faz tempo.

Aspectos legais
Eu tenho conceito do que seja pirataria, inovação(PI), modelo de utilidade (MU) e certificado e adição de invenção(C). Pra ser inovação, tem que haver criação de algo nunca existente. No máximo, algo quase inexistente pode ser um MU, ou no mínimo C, mas nunca PI. Pra ser PI, tem que nunca haver existido. E mesmo C está relacionado a PI, pois é uma melhora deste.

No Brasil, se uma empresa, estrangeira ou nacional, não tiver registro de sua patente nos bancos de dados do INPI, o produto inovador pode ser fabricado ou comercializado no país normalmente - se o suposto inventor registrou seu produto junto ao Tratado de Cooperação de Patentes (PCT), ele aparece no INPI.

Quanto aos outros aspectos,

a China não se importa com patente, a logística e engenharia reversa lá trabalham a rodo. Infelizmente, Fonseca, com embargos, protecionismo, ataques a países por petróleo fica difícil concorrer nesse mercado. Nem vou me aprofundar em política, Deus me livre kkk, mas democracia e meritocracia no jogo do sucesso e conquista é pura balela, não existe, não se compete de igual pra igual nesse mundo. Sem falar que tapetes são puxados a todo instante, ninguém respeita direito as regras do jogo. Mas por isso vamos também assumir as mesmas práticas? Em regra geral não. Eu procuro não copiar o que não é meu, ou se uso do outro o faço com autorização prévia, mas não somos perfeitos. Porém, eu entendo a China, que não quer virar uma Síria ou um Paquistão, ou um Brasil, que chegou a vender o barril de petróleo a um dólar, depois de aberta a possibilidade de exploração por outras empresas. EUA ter gasolina por centavos é mole desse jeito. Mundo cruel. Por isso entendo o posicionamento de alguns países quanto a patentes, a dignidade e manutenção da vida humana é mais importante do que as regras que criamos.

Por fim,

Vamos pegar um circuito de chorus inovador. Chorus já existe. O circuito já foi inventado. O que o criador pode é agregar algo novo a ele, e no máximo vira um MU ou C. E mesmo que vire, a patente do chorus já deve ter vencido há seculos, logo esse C sobre algo que já caducou constituirá automaticamente domínio público, quanto a MU dependera da invenção em si, e é difícil criar um modelo de utilidade. Pense num pra chorus.

Veja o que diz o INPI a respeito para ambos os casos.


"Certificado de Adição de Invenção (C) - Aperfeiçoamento ou desenvolvimento introduzido no objeto da invenção, mesmo que destituído de atividade inventiva, porém ainda dentro do mesmo conceito inventivo. O certificado será acessório à patente e com mesma data final de vigência desta.

Patente de Modelo de Utilidade (MU) - Objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação. Sua validade é de 15 anos a partir da data do depósito ."

Por isso que grande parte dos handmakers fazem cópias de um monte de coisa. Ou os produtos já entraram em domínio público, ou não estão em base de dados do INPI.

Por lei, eles podem sim copiar, botar epóxi, etc, respeitando a exigência legal, tá tudo certo. Há um amplo caminho até algo não poder ser comercializado legalmente, embora seja um plágio, pirata ou qualquer outra coisa.
 

Matec

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#3
Bruno

Que tipo de produto você pretenderia lançar? Se você tirar algum tipo de patente por aqui, qual a vantagem que isso resulta? E quanto atualmente se gasta num pedido de patente?
 
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#4
Bruno

Que tipo de produto você pretenderia lançar? Se você tirar algum tipo de patente por aqui, qual a vantagem que isso resulta? E quanto atualmente se gasta num pedido de patente?
Matec, vamos por partes.
Eu
Não posso falar o que vou lançar por questões óbvias ;)

Bem, patente, SE for o caso, Eh sempre válida, Eh óbvio. Demora, mas vale a pena. A daqui no Brasil não Eh cara, tem os preços no site do INPI, depende do tamanho da empresa, tem algumas variáveis, mas a do Tratado não sei. Pode ser cara, pois vai abranger os países que participam do Tratado.

MU no Brasil acho que dura meses, não vale a pena.

Esse tipo de informação ng passa. Tanta gente querendo abrir empresa, pequena, média, tanto faz, copiando, criando, construindo e não sabe que pode, acha que vai ser autuado etc. Nosso país os pequenos sempre se ferram.

O meu produto já existe no mercado, mas não tem concorrente no país. Os de fora são poucos e caros demais. Acreditamos que conseguiremos vender por 1/3 do valor, e entendemos que ganhar em alta rotatividade, diminuindo os preços, aumenta o público. Todo mundo ganha.

Não penso como brasileiro médio, burro, xucro, olho grande e egoista. Um produto constitui um benefício, não característica y ou status. Pessoas compram benefícios. Eh isso que vamos dar a elas.