Trêmolos

O trêmolo é um efeito obtido quando variamos repetidamente o volume do instrumento. O termo possui mais de uma definição, de acordo com o contexto (WIKIPEDIA. Trêmolo. 2012.). Em termos musicais o termo pode se referir à alterância rápida entre duas notas, ou a variações sutís sobre a mesma nota. O nome do efeito deriva do verbo “tremer”. Desde já podemos notar que uma nota musical pode “tremer” ao variar em frequência, ou ao variar em volume. Essa definição dúbia gera certa confusão, por isso precisaremos estabelecer uma convenção antes de prosseguirmos.

As guitarras Fender denominam sua alavanca como “Trêmolo bar”, termo que foi herdado da teoria musical. Poderíamos aceitar esta definição, porém ocorreria situação confusa onde vibrato e trêmolo significariam a mesma coisa. A alavanca da guitarra altera a frequência das notas, não sua amplitude/volume.

Portanto, para fins de nosso estudo, usaremos a seguinte convenção:

  • Vibrato é a variação de tom, ou frequência, das notas. Ao efetuar um “bend” ou oscilar o dedo sobre a corda da guitarra, estamos empregando a técnica do vibrato.
  • Trêmolo é a variação de volume, conforme a encontramos nos amplificadores Tremolux, Vibrolux, Twin Reverb e assim por diante.

O nome “vibrolux” faz alusão ao termo vibrar porém, para nossa discussão o efeito vibrato nesse amplificador é, na verdade, o que denominamos trêmolo (alternância de volume). Evitaremos maiores controvérsias discutindo o efeito em si utilizando a convenção acima, não perdendo tempo com os nomes comerciais utilizados por diferentes empresas.

Como funciona o trêmolo?

O sinal de áudio é tratado no amplificador por meio de amplitude modulada, ou AM. A diferença do sinal em nosso amplificador para aquele recebido por um receptor AM é o fato do sinal proveniente da guitarra não possuir onda portadora, ou seja, não é preciso sintonizar o amplificador para captar o sinal do instrumento.

Alterações na amplitude da tensão vinda do captador da guitarra gera alterações análogas na corrente que passa através das válvulas. A frequência das alterações é determinada pela nota musical, o timbre é determinado pelo conteúdo harmônico, e o volume é determinado pela amplitude da tensão. A combinação destas três grandezas gera o timbre característico do conjunto guitarra/amplificador.

O que ocorreria, por exemplo, se o amplificador fosse arquitetado para limitar a amplitude ou volume máximo? Ou para aumentar o volume das notas com pouca amplitude? Teríamos, então, o efeito que conhecemos por “compressão”.

E se não amplificássemos as notais de menor amplitude mas, no entanto, criássemos um limite superior para que picos excessivos fossem atenuados? Teríamos então um limitador.

Existem, portanto, diversos recursos e efeitos que podem ser aplicados apenas ao volume do sinal recebido da guitarra, sem alterar os demais parâmetros do timbre.

Quando o amplificador é configurado para oscilar periodicamente, limitando o sinal em níveis variáveis com o passar do tempo, ou seja, ao instalarmos um limitador variante no circuito do amplificador, obtemos o efeito que chamamos de trêmolo.

O trêmolo é composto por um oscilador que limita a amplitude do sinal de áudio de acordo com sua frequência de oscilação. O nivel de atenuação é determinado pela amplitude do próprio oscilador (não confundir com a amplitude do sinal), controle frequentemente chamado de “intensidade” (“intensity” nos amplificadores estrangeiros). A frequência do vibrato também costuma ser ajustável, controle normalmente chamado de “velocidade” (speed).

O oscilador mais comum é construído utilizando uma válvula duplo-triodo como 12AX7 ou 12AT7. O princípio de todo oscilador é o retorno positivo, ou “feedback positivo”, sendo que existem diversas formas de obter-se esse feedback. A forma como o retorno é obtido ajuda a classificar o tipo de oscilador: quando o retorno é obtido usando capacitores, temos um oscilador de Colpitts, quando o retorno é obtido a partir de um indutor, temos um oscilador de Hartley. Existem inúmeras combinações possíveis de indutores e capacitores, porém o funcionamento de todos os osciladores segue os mesmos princípios: um sinal em fase com a saída do oscilador é retroalimentado de forma controlada, permitindo variar-se a frequência e a amplitude.

A injeção da saída do oscilador de volta ao circuito pode ser efetuada de forma isolada, utilizando um par opto-acoplado onde o sinal do oscilador acende e apaga uma lâmpada de neon, e essa lâmpada por sua vez varia a resistência oferecida por um diodo sensível à luz, ou LDR.

O sinal pode, também, ser diretamente acoplado ao circuito utilizando-se um capacitor. Porém o capacitor não isola o circuito do oscilador, o que gera um filtro de passa-baixa parasítico, alterando a impedância do estágio em diferentes frequências, causando perda nas frequências superiores (o que o músico chama de “perda de definição”). O sistema de LDR evita tais problemas, isolando por completo o circuito oscilador do resto do sistema. Usando o LDR existe, também a alteração na impedância do estágio, porém essa alteração é igual para todas as frequências (não reativa). No entanto, todo circuito de trêmolo causa, necessariamente, atenuação do sinal. A atenuação que o trêmolo ocasiona no circuito, ou seja, o ponto onde o sinal do oscilador é injetado no circuito, pode atuar no setor de potência ou no pré-amplificador. A seguir falaremos brevemente desses dois sistemas.

Trêmolo de bias

O trêmolo de bias, conforme o nome sugere, funciona pela variação da tensão de polarização de bias das válvulas de potência.

A tensão de bias é aplicada diretamente à grade de controle das válvulas de potência. Ao variarmos esta tensão de polarização estamos, essencialmente, injetando um novo sinal no circuito. O sinal proveniente da guitarra será misturado ao sinal do trêmolo, gerando uma nova forma de onda modulada conforme o oscilador.

Esse sistema apresenta a desvantagem de envolver um dos circuitos mais críticos do amplificador valvulado: a fonte da tensão de bias. Havendo falha no circuito de trêmolo, é possível ocorrer a falência completa do estágio de saída, trazendo riscos para o transformador de saída e para as válvulas de potência.

Exemplo de amplificador que utiliza trêmolo de bias: Fender Vibrolux 6G11, de 1962

Trêmolo de pré-amplificador

Este sistema, mais moderno, segue o mesmo princípio do trêmolo de bias, modificando-se apenas o local onde a saída do oscilador é injetada. Os amplificadores Fender, após 1963, passaram a utilizar esse circuito. Um oscilador injeta o sinal gerado em algum ponto do pré-amplificador através de um LDR. O diodo sensível à luz atua como se fosse um controle de volume, e pode ser instalado em qualquer lugar onde haveria tal controle – no lugar do volume master, por exemplo. Ou, caso deseje aplicar o trêmolo a apenas um canal, ele pode ser instalado na saída daquele canal. Trata-se de um sistema mais elegante e mais simples, por isso é o mais utilizado.

No entanto, devemos mencionar que o LDR funciona de maneira semelhante a um transistor cuja base é excitada por luz ao invés de corrente elétrica. Assim esses dispositivos não estavam disponíveis nos anos 1950, década em que ocorreu a invenção dos transistores. A evolução da eletrônica tornou possível o uso de circuitos optoacoplados, por esse motivo antes eram usados meros capacitores para acoplar o oscilador do trêmolo ao circuito.

Exemplo de amplificador que utiliza trêmolo de pré: Fender Super Reverb Amp AB763