Materiais Eletrônicos

Soquetes e Conectores

Os soquetes são o primeiro vínculo entre as válvulas e o amplificador. Muitos fabricantes buscam economizar financeiramente ao adquirir soquetes de baixa qualidade.

Encontram-se marcas populares de amplificadores os quais empregam soquetes de plástico. É surpreendente que alguns fabricantes “de grife” utilizem até mesmo soquetes de plásticos sensíveis à temperatura! Tais soquetes são suscetíveis ao calor da solda, e seus pinos tornam-se frouxos já na primeira montagem. São um verdadeiro pesadelo para manutenção e inevitavelmente causam problemas.

Soquetes de cerâmica, com pinos estanhados, são o mínimo denominador em termos de qualidade. Alguns fabricantes de amplificadores de boutique vão além, e utilizam soquetes com pinos banhados em ouro ou prata. Metais preciosos são sempre bem-vindos nas instalações elétricas, mas recomendo ao construtor pesar cuidadosamente o custo/benefício dessa escolha. A principal vantagem dos metais preciosos é evitar a oxidação dos contatos no longo prazo. Em termos de condutibilidade elétrica, em apenas alguns milímetros as diferenças são desprezíveis na comparação entre o ouro, latão e cobre. Nunca me foi possível aferir diferença de timbre entre metais de conectores dos soquetes e fiação.

Nas pequenas distâncias físicas e baixas frequências (20 Hz – 20 KHz) dos sinais encontrados em um circuito de amplificador para guitarra, essas diferenças entre metais tornam-se desprezíveis. No entanto, metais como o ouro realmente se sobressaem na durabilidade das soldas e dos condutores, visto que sua oxidação é quase inexistente.

Os conectores para cabos de energia, padrão IEC C13 e C14, possuem qualidade relativamente padronizada, e o construtor não terá dificuldade em optar por um fabricante específico. Alguns incluem filtro de linha e caixa para fusível embutidos no mesmo conector, o que pode ser um atrativo – neste caso a datasheet do conector deve ser consultada para obter-se o perfil de usinagem do furo necessário para fixar o conector ao chassi.

Um dos conectores mais importantes do amplificador, senão o mais importante para a qualidade do áudio, é aquele do jack P10 (1/4” Phone Jack) de entrada. Os conectores utilizados para realizar essa função são tradicionalmente oriundas de sistemas telefônicos antigos. Os jacks mais utilizados são aqueles fabricados pela Switchcraft, que possui algumas ligeiras variações entre modelos: rosca longa (L12A), rosca curta (12A), jack chaveado (12A, L12A), jack simples (Switchcraft 11) ou jacks stereo (mod. 12B). Aqueles de rosca longa são usados em gabinetes, onde a rosca do jack deve atravessar madeira e outro material mais espesso. Aqueles de rosca curta são usados em chassis, de um ou dois mm de espessura, no máximo. Jacks chaveados são usados na entrada do amplificador e no retorno do loop de efeitos, e abrem/fecham um circuito quando o plug é inserido. Assim é possível manter o amplificador silencioso quando não há um plug inserido na entrada. Os jacks stereo podem ser usados para pedais de controle do amplificador, utilizando-se um dos condutores para envio, e outros dois para o retorno, podendo-se chavear dois circuitos – o reverb e a troca de canais, por exemplo.

Outro soquete utilizado é aquele para a lâmpada indicadora no painel. O padrão utilizado por amplificadores valvulados tradicionais é o de lâmpadas #47 de 6.3 Volts. Esses conectores possuem um encaixe para a lâmpada tipo baioneta, com pressão por mola. Na parte externa possui rosca para fixação de uma “jóia” de vidro com a cor desejada.

O último tipo de soquete é aquele para o fusível principal. Os fusíveis internos são instalados usando porta-fusíveis de placa de circuito impresso, com os terminais expostos, o que não é possível do lado externo do chassi por motivos de segurança. A escolha desse porta-fusível cabe ao construtor; recomendo apenas observar a qualidade de construção do mesmo. Porta-fusíveis de baixa qualidade podem soltar durante o uso do amplificador, principalmente com vibração intensa.

O porta-fusível externo é completamente fechado e isolado. Nos amplificadores para guitarra eles costumam abrir através de rosca ou encaixe do tipo baioneta (onde se insere a tampa com pressão e dá-se meia volta para fixá-lo). Outro sistema apresenta uma pequena gaveta onde o fusível é preso, a qual é inserida no conector do chassi. O porta-fusível tipo gaveta costuma possuir espaço para um fusível reserva dentro da própria gaveta, o que os torna muito práticos.

O porta-fusíveis determina o tipo de fusível que será utilizado: se ele será do tipo menor (5×20 mm) ou o maior (3AG, onde AG significa Automotive Glass). A escolha cabe ao construtor, visto que há abundância de ambos os tipos no mercado brasileiro e internacional, e não há diferença funcional entre eles.

Solda

Nos amplificadores para guitarra utiliza-se basicamente a solda branca 60/40, assim chamada por ser composta por 60% estanho e 40% de chumbo. Costumamos chamá-la popularmente de “solda de chumbo”, apesar desse material compor a menor fração da liga. Uma liga ligeiramente distinta é aquela formada por 37% de chumbo e 63% de estanho, chamada mistura eutética, a qual possui um ponto de fusão mais homogêneo em todo o volume da solda.

A solda de chumbo vem sendo proibida em diversos países devido aos efeitos tóxicos desse metal. O chumbo acumula-se no organismo humano, podendo trazer diversos malefícios à saude, principalmente com a exposição continua, de longo prazo. No Brasil o seu uso ainda é permitido, porém na Europa e Estados Unidos os novos equipamentos devem utilizar solda sem chumbo, de acordo com regulamentações introduzidas recentemente, a exemplo da lei RoHS. Ao deparar-se com o termo “solda compativel com RoHS” o leitor pode entender tratar-se de solda livre de chumbo.

O processo de solda com ou sem chumbo é parecido. Mudam-se alguns fatores e a técnica de solda com estanho puro ou ligas de estanho com latão ou prata requer alguma prática, porém quem tiver experiência com solda 60/40 não terá qualquer problema para atender a qualquer eventual nova legislação contra poluentes que, por ventura, possa surgir no Brasil.

Por hora, falaremos da solda branca tradicional(Pb/Sn) conforme usada na grande maioria dos amplificadores valvulados existentes. Vendidos a peso, os rolos de 1/2 Kg duram bastante tempo e costumam oferecer economia em comparação com a compra fracionada. Podem ser encontrados em praticamente qualquer loja de material elétrico/eletrônico ou de ferramentas.

Outros tipos de solda que podem ser encontrados incluem soldas MIG ou TIG utilizada na construção do chassi. No caso de chassis de alumínio, será preciso o uso de solda TIG. Devido a seu uso limitado em amplificadores, trabalho que normalmente é terceirizado, não iremos discutir estas duas tecnologias de solda.