Ferramentas Elétricas

Bancada de Trabalho

A bancada é onde passamos boa parte de nosso tempo trabalhando com amplificadores valvulados.

A bancada de qualidade atende basicamente aos seguintes pré-requisitos:

  • Possui amplo espaço para ferramentas e para o dispositivo sendo trabalhado.
  • Possui boa iluminação. Em todas as bancadas que o autor já teve, haviam pelo menos 2 calhas de lâmpadas fluorescentes na parte superior. Hoje, calhas completas podem ser encontradas a baixo custo, até mesmo no “bazar” de certos supermercados.
  • A bancada de eletrônica deve ser feita de material isolante, como MDF ou madeira. Essa sugestão pode parecer óbvia, no entanto conheço mais de um caso de bancadas de eletrônica aproveitadas de oficinas mecânicas, onde naturalmente se usa o aço.
  • Deve possuir instalações e conexões elétricas de qualidade.
  • As tomadas de alimentação devem estar sempre acima da área de trabalho, com os terminais na horizontal ou virados para baixo. Há imensa quantidade de pontas de metal, solda e outros pequenos restos de condutores em cima de uma bancada de eletrônica – os conectores virados para cima são um convite a problemas.
  • Todas as tomadas de alimentação devem ter etiquetas de voltagem, indicando 110, 220, 380 e assim por diante. Estas são facilmente encontradas em lojas de ferramentas.
  • A base ou armação da bancada, caso seja metálica, deve ser aterrada.
  • Uma lâmpada incandescente pode ajudar a ler valores de resistores. A temperatura da luz proveniente de lâmpadas fluorescentes muitas vezes dificulta essa tarefa.
  • Deve ter altura superior à das mesas comuns. O técnico deve ser capaz de trabalhar confortavelmente em pé.
  • Deve permitir a fixação segura de ferramentas como alicates, estiletes, chaves diversas de modo que sejam facilmente acessíveis e que não possam cair facilmente sobre a área de trabalho.

Ferros de Solda

O construtor de amplificadores irá precisar de um bom ferro de solda. Este importante pré-requisito é muitas vezes ignorado pelo construtor, ao considerar que todos os ferros são iguais. Na verdade há enorme variação de qualidade entre ferros de solda.

Soldas problemáticas são fonte de boa parte das dificuldades dos construtores mais novatos – e muitas vezes causam problemas de difícil diagnóstico. As soldas mal feitas nem sempre são facilmente identificáveis, o que exigirá maior tempo para solução de problemas posteriores.

O ferro de solda para valvulados deve ter maior potência que aqueles utilizados em informática e trabalhos com placas de circuito modernas. Os componentes para valvulados são, em sua maioria, mais encorpados e possuem maior massa física que seus semelhantes modernos. As pontes de terminais e turrets possuem maior massa, o que costuma resfriar ferros de até 45Watts, resultando em soldas frias e de má qualidade.

Um bom tamanho para o ferro de solda principal seria algo em torno de 70 Watts. Ferros de 100 Watts podem precisar de um limitador de temperatura, como um dimmer utilizado para controlar a luminosidade de lâmpadas caseiras.

Ferros Weller com controle ativo de corrente são uma exceção à regra e podem ser menores, e ainda assim suprirem a potência necessária para trabalhar com valvulados. Utilizo uma estação Weller com ferro TC201T de 40 Watts e baixa tensão – o sistema Weller é capaz de fornecer surtos de corrente ao ferro de solda, mantendo-o com temperatura constante. Trata-se de um sistema muito eficiente que, porém, costuma possuir preço acima dos ferros tradicionais e a troca de pontas de solda magnéticas torna-se necessaria periodicamente para manter o sistema em perfeito funcionamento.

Para efetuar soldas brancas em chassis de latão ou aço o construtor irá precisar de um ferro de mais de 150 Watts; são normalmente ferros com formato “machadinha”.

Pequenos maçaricos, hoje disponíveis até para recarga com gás de isqueiro (Dremel, por exemplo), podem ser úteis nas soldas de chassi. Porém não podem ser facilmente usados em montagens já existentes, por destruir partes inflamáveis a seu redor. Casas de ferramentas costumam ter diversas opções de pequenos maçaricos que não exigem tanque de gás externo. Caso opte por adquirir um, escolha uma ferramenta de boa qualidade, lembrando que o maçarico é um tanque de gás em suas mãos.

Dreno para capacitores

Esta é uma das ferramentas mais úteis para o construtor de amplificadores. O dreno para capacitores nada mais é que um resistor usado para acelerar a descarga dos capacitores.

Ao desligar o aparelho para efetuar ajustes ou modificações, o primeiro ato é sempre de procurar a outra ponta do dreno e tocá-la no capacitor principal do amplificador, mantendo-a lá por pelo menos 15 segundos. Após descarregar os capacitores, eles normalmente recuperam parte da tensão antes aplicada, por isso deixo o dreno conectado aos capacitores quando o trabalho se prolonga. É importante lembrar de desligar o dreno antes de ligar novamente o amplificador.

A construção é simples: é preciso apenas de cerca de 30cm de fio para cada terminal, o resistor e 2 garras-jacaré. Costumo usar um fio e garra vermelhos e o outro terminal preto, para reconhecê-los facilmente durante o trabalho. Resistores não têm polarização, portanto a codificação usando cores distintas serve apenas para lembrar qual garra se encontra no terra e qual se encontra ligada à alta tensão. Ao repetirmos algo muitas vezes, pequenos lembretes podem auxiliar, principalmente ao trabalharmos com agilidade. Pratica-se ligar sempre a garra vermelha à alta tensão e a preta ao chassi ou ponto de terra da fonte. Assim é fácil reconhecer se o dreno está ligado ou não, mesmo que a garra preta continue conectada à referência de zero volts. Lembrando que ao aplicar-se o dreno pela primeira vez, o capacitor estará carregado, portanto deve-se ter cuidado no procedimento. Resistor de descarga para alta tensão: 4K7 OHMs por 5 a 10 Watts. Para baixa tensão: 220 OHMs x 5 a 10 Watts