Da Acústica à Eletricidade

Um longo caminho é percorrido pela música que surge na guitarra até o momento em que chega até os ouvidos do público. No trajeto há o encontro da Física com a Engenharia e, no fim, até mesmo com a Psicologia.

Sabe-se que determinado tom da nota Lá possui frequência de 440 Hz. É parte do mesmo tom ouvido ao telefone, o qual conhecemos por “tom de discagem” (na verdade o tom de discagem é composto por várias frequências que compõem o padrão DTMF). É, também, o tom ouvido ao tocarmos a corda Sol (3a) na 14a posição. Porém nota-se que o tom ouvido ao telefone é bem diferente daquele proveniente da guitarra! Ambos têm a mesma frequência, logo o que difere os 440Hz do telefone e os 440Hz da guitarra elétrica?

A resposta é o timbre.

Duas ondas de mesma frequência soam diferentes quando possuem forma de onda distinta. As duas formas de onda oscilam fundamentalmente na mesma frequência, porém seu conteúdo harmônico é diferente.

As ondas senoidais não possuem conteúdo harmônico, são formadas pela função trigonométrica do seno, verificando a tensão elétrica ao longo da linha do tempo. Em qualquer momento T, a amplitude V da onda será a tensão de pico Vpk multiplicada pelo seno de T.

Vt = Vpk * seno (t)

As ondas senoidais não têm qualquer outra componente, por isso são utilizadas para testes e aferições nos amplificadores. São formas de onda “puras”. Porém o timbre de uma onda senoidal não é muito agradável aos nosso ouvido: é apenas um “apito” ou “beep” semelhante ao que ouvimos ao tirarmos o telefone do gancho.

Quando acrescentamos riqueza harmônica a uma forma de onda, dizemos que estamos “colorindo” o timbre. Os melhores amplificadores de alta fidelidade não colorem o timbre, mas reproduzem o áudio fielmente como está na gravação. A busca da mais perfeita fidelidade é o objeto dos audiófilos.

Já os amplificadores para guitarra que não colorem o timbre do instrumento soam frios, “sem vida”. Essa é a principal diferença de amplificadores comuns e aqueles para guitarra: na amplificação para guitarra buscamos alterar a forma de onda de entrada. A forma como alteramos essa forma de onda é o fator que gera o timbre ou assinatura do amplificador: a forma de onda resultante é a sua “impressão digital”.

Por isso dizemos que o amplificador faz parte do instrumento. Ao combinarmos uma determinada guitarra com um determinado amplificador, temos um timbre específico. Alterando-se um desses dois componentes temos outro timbre distinto, como se fosse outro instrumento. Assim, consideramos guitarra e amplificador como partes integrantes do mesmo instrumento musical.